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Neurônios Espelho….Neurônio sem personalidade ( pérola da Clô)
de Vivian Almeida | Quinta, 3 de Setembro de 2009
Pessoas podem sentir a dor do próximoCuidar de um familiar doente não gera apenas sofrimento psíquico, mas físico. Mistura de pesar, pena e condolência, a compaixão desencadeia uma série de reações cerebrais que levam o cuidador a sentir dores também, em um processo chamado de empatia à dor.
Em estudos recentes, cientistas perceberam que, ao ser colocado em contato com o sofrimento de alguém próximo, uma pessoa ativa no cérebro neurônios iguais aos despertados quando ele mesmo está sofrendo. A ênfase dos estímulos elétricos se dá, porém, em uma porção do órgão responsável pelos chamados aspectos afetivos.
“Antes, todo o foco das pesquisas de atenção ao controle da dor se concentrava em outra parte do cérebro, a que nos informa sobre a intensidade e o local dela. Hoje, com esses resultados, sabe-se que podemos ser muito mais eficazes se atuarmos também nas porções afetivas”, explica o neurocirurgião Fábio Godinho.
Apesar de ser algo de fundo emocional, a empatia à dor sofre grande influência da razão. O fenômeno é notado em profissionais de saúde que convivem diariamente com situações de perigo e sofrimento. “Em um estudo com médicos, os resultados mostraram que a empatia à dor declina com o tempo. É um processo de adaptação por causa da constante exposição ao sofrimento dos pacientes”, detalha.
Dor e emoção compartilham a mesma área no corpo, o tronco cerebral, situado entre a cabeça e as costas. Em função disso, uma pode agir bloqueando a outra. A proximidade ajuda a explicar porque, muitas vezes, alguém com muita dor consegue completar uma prova de atletismo, por exemplo. O contrário também acontece. Pacientes depressivos são mais intolerantes à dor física e podem evoluir mais facilmente para casos crônicos. Para o tratamento ter eficácia, afirma o neurologista Pedro Schestasky, a parte emocional deve estar contemplada para se quebrar o ciclo vicioso da dor-depressão.
“Por isso, muitas vezes são prescritos antidepressivos. Dessa forma, a pessoa sai da depressão e encontra forças para lutar contra a origem da dor que está sentindo”, diz Schestasky. A dor também está ligada à cultura. Em algumas regiões da África, não há registros de casos de fibromialgia, um dos tipos mais agressivos de dor. Os africanos não interpretam a doença como uma ameaça, explica o neurologista.
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